22.10.11

"Um Lugar Qualquer" - Sofia Coppola (EUA, 2010)

Sinopse: Johnny Marco (Stephen Dorff) é um bem sucedido ator de Hollywood que não possui uma reputação das melhores. Hospedado no lendário hotel Chateau Marmont para recuperar-se de um acidente no set de filmagens, ele passa os dias em festas com strippers ou dirigindo sua Ferrari. Porém, o ator tem sua rotina subitamente alterada pela presença de Cleo (Elle Fanning), sua filha de 11 anos, que passa a visitá-lo com certa frequência. Embora a princípio seja incapaz de dar à menina a atenção que precisa, a progressiva aproximação leva Johnny a reavaliar sua vida.
Comentário: Segundo Marco Tomazzini, do Ig, "A diretora, mais uma vez, usa o cinema para trazer à luz seus fantasmas e traumas pessoais. Ela já falou em mais de uma ocasião que não foi fácil crescer acompanhando o pai em hotéis pelo mundo e também deve ter testemunhado uma boa parcela de mulheres nuas se atirando em cima dele. Há, inclusive, uma referência direta da infância: Sofia resolveu colocar no filme o mesmo funcionário do Chateau Marmont que cantava para ela no lobby do hotel quando criança. O acerto de contas com o pai, portanto, é um dos ingredientes que temperam a história, assim como uma certa crítica à indústria do entretenimento, que Sofia também conhece bem. (...) Apesar do pano de fundo ácido, o que move 'Um Lugar Qualquer' é a inadequação do personagem principal. Sofia Coppola usa o que conhece – o mundo do cinema, os hotéis, os endinheirados – para falar da busca por um sentido na vida. Nada diferente de seus longas anteriores, pelo contrário: trata-se da mesma obsessão, ou até de mera repetição. A diferença aqui é o uso do ritmo cadenciado, quase lento, em planos longos, que a equipe do filme chama de 'europeu'. Essa complexidade, digamos, também tenta se estender para metáforas visuais – Marco envolto numa máscara de gesso para lembrar como ele é oco por dentro –, que, óbvias, ajudam a dar um ar artificial que prejudica o conjunto, em especial o desfecho da história, frustrante. A cineasta mantém, contudo, seu olhar sensível. A intimidade crescente entre pai e filha, graças a uma química excelente entre Dorff e Fanning, cativa e é o que 'Um Lugar Qualquer' tem de mais genuíno. A trilha sonora composta pela banda francesa Phoenix (o vocalista Thomas Mars é casado com a diretora) e recheada de pérolas pop (Foo Fighters, Police, Strokes, T. Rex) tornam a projeção, como de costume, uma experiência agradável. Isso, Sofia continua fazendo bem."