
Comentário: Apichatpong Weerasethakul (1970) é um diretor tailandês que faz filmes pouco convencionais. "Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas" (2010) é o primeiro filme que vejo dele.
Segundo Marcelo Hessel do site Omelete, "Apichatpong Weerasethakul adora janelas. Mas, como tudo em seus filmes, uma janela nunca é só uma janela. Em 'Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas' (Lung Boonmee Raluek Chat, 2010), a primeira a aparecer é a janela de um carro. O tio do título viaja com sua irmã, Jen (Jenjira Pongpas), até a casa na floresta onde deseja passar os seus últimos dias; Boonmee sofre de insuficiência renal. Na estrada, Jen abaixa o vidro do passageiro e, com os sons de fora, invadem o carro, (…) os primeiros raios de sol da manhã.
O risco de mitificar Apichatpong - ou Joe, como costuma ser chamado - está sempre presente. Nas suas mãos, o mundano se torna sublime sem esforço, e o desafio de interpretar o seu cinema sensorial pode ser um exercício não só dispersivo como arbitrário. (...)
Depois do prêmio no festival francês, a curiosidade aumentou, e fala-se muito, com perplexidade diante da piração, do macaco-fantasma e do peixe comedor que aproximam 'Tio Boonmee' do gênero da fantasia. Mas a viagem, antes de mais nada, é o contato mais imediato que se tem com o mundo. Ela exige apenas que se abram as janelas.
Ouvir os barulhos da floresta com o excepcional desenho de som que Akritchalerm Kalayanamitr faz para Joe desde 'Mal dos Trópicos' já é, em si, uma experiência imersiva".
O que eu achei: Eu gostei demais da experiência. Fica difícil dizer se o que você esta assistindo é um filme “normal” de cinema ou se é um produto mais alinhado aos trabalhos de vídeo-arte exibidos em galerias. Então veja se estiver aberto à novas experiências ou se já for fã do diretor. Eu, pessoalmente, espero ver mais dele.