11.9.11

"Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas" - Apichatpong Weerasethakul (Reino Unido/Tailândia/Alemanha/França/Espanha , 2010)

Sinopse: Sofrendo de insuficiência renal, Tio Boonmee (Thanapat Saisaymar) resolveu passar os últimos dias de sua vida recolhido em uma casa perto da floresta, ao lado de entes queridos. Durante um jantar com a família, o espírito de sua esposa falecida (Natthakarn Aphaiwonk) aparece para ajudá-lo em sua jornada final. A eles se junta Boonsong (Geerasak Kulhong), filho de Boonmee, que retorna após muito tempo metamorfoseado em outra forma de existência. Juntos, eles percorrerão o interior de uma caverna misteriosa, onde Boonmee nasceu em sua primeira vida.
Comentário: Apichatpong Weerasethakul (1970) é um diretor tailandês que faz filmes pouco convencionais. "Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas" (2010) é o primeiro filme que vejo dele.
Segundo Marcelo Hessel do site Omelete, "Apichatpong Weerasethakul adora janelas. Mas, como tudo em seus filmes, uma janela nunca é só uma janela. Em 'Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas' (Lung Boonmee Raluek Chat, 2010), a primeira a aparecer é a janela de um carro. O tio do título viaja com sua irmã, Jen (Jenjira Pongpas), até a casa na floresta onde deseja passar os seus últimos dias; Boonmee sofre de insuficiência renal. Na estrada, Jen abaixa o vidro do passageiro e, com os sons de fora, invadem o carro, (…) os primeiros raios de sol da manhã.
O risco de mitificar Apichatpong - ou Joe, como costuma ser chamado - está sempre presente. Nas suas mãos, o mundano se torna sublime sem esforço, e o desafio de interpretar o seu cinema sensorial pode ser um exercício não só dispersivo como arbitrário. (...)
Depois do prêmio no festival francês, a curiosidade aumentou, e fala-se muito, com perplexidade diante da piração, do macaco-fantasma e do peixe comedor que aproximam 'Tio Boonmee' do gênero da fantasia. Mas a viagem, antes de mais nada, é o contato mais imediato que se tem com o mundo. Ela exige apenas que se abram as janelas.
Ouvir os barulhos da floresta com o excepcional desenho de som que Akritchalerm Kalayanamitr faz para Joe desde 'Mal dos Trópicos' já é, em si, uma experiência imersiva".
O que eu achei: Eu gostei demais da experiência. Fica difícil dizer se o que você esta assistindo é um filme “normal” de cinema ou se é um produto mais alinhado aos trabalhos de vídeo-arte exibidos em galerias. Então veja se estiver aberto à novas experiências ou se já for fã do diretor. Eu, pessoalmente, espero ver mais dele.