Sinopse: Trata-se de um documentário que mostra a vida das crianças do bairro da Luz Vermelha, em Calcutá, na Índia. O aparente enriquecimento do país deixa de lado os menos favorecidos. Os menos favorecidos são os filhos das prostitutas. É nesse local que os documentaristas Zana Briski e Ross Kauffman procuram essas crianças oferecendo à elas uma câmera analógica compacta e a oportunidade de participarem de um workshop coordenado por Zana. As crianças saem fotografando, desenvolvendo o olhar e acabam expondo na Índia e nos EUA, tendo seus trabalhos leiloados na famosa casa de leilões Sotheby's. Na tentativa de tirar as crianças daquela vida, Zana consegue algumas vagas em escolas para internação e consegue, via World Press Photo, a ida de uma das crianças para a Holanda. Ao final, poucas se encaminham, enquanto a maioria retorna para a vida de sempre.
Comentário: Carlos Alberto Matos do O Globo diz: "a ideia de salvação pela arte – que anima, por exemplo, o trabalho do Afro Reggae nas favelas cariocas – tem uma ilustração eloquente em 'Nascidos em Bordéis'. Vencedor de um Oscar e do Prêmio do Público no Festival de Sundance em 2005, (...) o documentário encontra uma forma hábil, mas não exploratória, de revelar os intestinos de um dos lugares mais dantescos do planeta. A zona de prostituição de Calcutá é um inferno inacessível às câmeras. Para ali penetrar, as norte-americanas Zana Briski e Ross Kauffman pediram às crianças que fotografassem o seu bairro. Mas o filme acabou sendo bem mais que o registro desse processo. 'Nascidos em Bordéis' é um documentário de intervenção social. Através da oficina de fotografia, uma saída se apresentava para as crianças mais talentosas. A salvação, portanto, estava limitada pela necessidade de selecionar. E ainda pela incompreensão dos pais e os absurdos da burocracia indiana. Quando se detém sobre as dificuldades do projeto, o filme traz para o primeiro plano a persistência da fotógrafa Zana Briski e perde um pouco de sua força. Melhor é quando cumpre sua agenda principal: deixar-se guiar pelas crianças, ali onde a inocência se mescla à sordidez, num ciclo contínuo de gerações dedicadas à prostituição. As dignas intenções das realizadoras e a forma de aproximação escolhida garantem um certo pudor nesse olhar. Não vemos o trabalho das/dos profissionais do sexo. Mas temos cenas, relatos e indícios de um mundo marcado pela extrema pobreza e o conformismo, algumas das piores aflições da Índia tradicional. A beleza recolhida nas fotos das crianças é um alento que o documentário promove de maneira afetuosa e sem sentimentalismo".
