Sinopse: Num vilarejo protestante no norte da Alemanha, em 1913, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, estranhos eventos perturbam a calma dos moradores. Uma corda é colocada como armadilha para derrubar o cavalo do médico (Rainer Bock), um celeiro é incendiado, duas crianças são sequestradas e torturadas. Gradualmente, estes incidentes isolados tomam a forma de um sinistro ritual de punição, deixando a cidade em pânico. O professor (Christian Friedel) do coro de crianças e jovens da escola local investigam os acontecimentos para encontrar o responsável, mas, ao final, não haverá um único culpado.
Comentário: Impossível não sair do cinema pensando que Haneke procurou, com 'A Fita Branca', explicar as origens das raízes culturais da geração que abraçou o nazismo, 20 anos depois dos fatos que narra no filme. Porém, segundo Mauricio Stycer do IG Último, "essa é uma leitura rasa, diz o próprio cineasta, numa excelente entrevista a Anthony Lane, na revista 'New Yorker' (5 de outubro de 2009, infelizmente não disponível online). Transcrevo a seguir, numa tradução livre, a longa resposta que Haneke dá à tentativa de rotular seu filme como uma parábola sobre o nazismo: 'Não ficaria feliz se esse filme fosse visto como um filme sobre um problema alemão, sobre o nazismo. Este é um exemplo, mas significa mais que isso. É um filme sobre as raízes do mal. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles. Se você constrói uma ideia de uma forma absoluta, ela vira uma ideologia. E isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria. E este não é um problema só do fascismo da direita. Também vale para o fascismo da esquerda e para o fascismo religioso. Você poderia fazer o mesmo filme – de uma forma totalmente diferente, é claro – sobre os islâmicos de hoje. Sempre há alguém em uma situação de grande aflição que vê a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, se livrar do sofrimento e consertar a vida. Em nome de uma ideia bonita você pode virar um assassino.” Imperdível.
