Sinopse: Los Angeles, março de 1928. Christine Collin (Angelina Jolie), uma mãe solteira, se despede de Walter, seu filho de 9 anos, e parte rumo ao trabalho. Ao retornar descobre que Walter desapareceu, o que faz com que inicie uma busca exaustiva. Cinco meses depois a polícia traz uma criança, dizendo ser Walter. Christine logo vê que não é seu filho, mas tanto a polícia quanto o próprio menino dizem que é.
Comentário: Clint Eastwood (1930) é um cineasta e ator americano. Assisti dele os ótimos "Menina de Ouro" (2004) e "A Conquista da Honra" (2006). Desta vez vou conferir "A Troca" (2008).
Segundo Rubens Ewald Filho, "Angelina Jolie não ganhou o prêmio de atriz em Cannes em 2008 aparentemente porque o presidente do júri Sean Penn deve ser seu inimigo. Sorte nossa, porque o prêmio ficou para a brasileira Sandra Corveloni, que nem tinha um papel tão marcante assim. Angelina acabou sendo indicada ao Oscar, ao Bafta, ao SAG e ao Globo de Ouro, ou seja, todos os principais prêmios de atuação, embora não seja um grande momento dela.
O filme tem defeitos evidentes, sendo o mais claro a sucessão de finais - quando o filme parece que acabou e então vem mais uma resolução. Sua duração também é desnecessariamente longa, com 140 minutos. Também não é o melhor momento de Clint Eastwood como diretor, que, embora competente, não está especialmente à vontade para contar uma história real de época. (...)
Um filme digno, como tudo que Clint faz. Foi indicado também aos Oscar de Fotografia e Direção de Arte".
O que eu achei: Em “A Troca” (2008), Clint Eastwood parte de uma história real para construir um drama sólido sobre abuso de poder, injustiça institucional e sofrimento individual. Ambientado na Los Angeles dos anos 1920, o filme acompanha uma mãe confrontada por um sistema policial mais interessado em preservar sua imagem do que em buscar a verdade. Eastwood adota um tom clássico e contido, apostando mais na clareza narrativa do que em grandes arroubos estilísticos. O resultado é um filme bom, eficiente e bem conduzido, mas que raramente surpreende. A encenação é correta, o roteiro segue um caminho previsível e o discurso crítico sobre instituições corruptas é direto, às vezes até excessivamente didático. Ainda assim, há força no material, sobretudo na persistência da protagonista diante de um sistema opressor, o que garante envolvimento emocional ao espectador. Sem alcançar o impacto ou a complexidade de outros trabalhos do diretor, “A Troca” vale pela história que escolhe contar e pela seriedade com que a trata. É um drama competente, de interesse histórico e moral evidente, que se sustenta bem, mas fica um degrau abaixo dos grandes filmes de Eastwood. Correto, relevante, mas longe de ser memorável.
