14.3.26

"Sonhos S.A." - Kim Hagen Jensen & Tonni Zinck (Dinamarca/Bélgica/Suécia/Alemanha/EUA/Irlanda, 2019)

Sinopse:
 
Sentindo falta da mãe falecida, Minna fica arrasada quando o pai se casa novamente, formando uma família com a madrasta Helene e a meia-irmã Jenny, obcecada por redes sociais. Minna se refugia então no mundo dos sonhos, onde tudo é possível. Certa noite, enquanto sonha, ela atravessa uma parede e encontra Gaff, uma criatura falante responsável por construir sonhos. Ela implora que ele a ajude a entrar nos sonhos de Jenny para plantar ideias em sua mente, mas quebrar as regras a leva a todo tipo de problema, tanto no mundo dos sonhos quanto na vida real.
Comentário: Trata-se de uma animação também divulgada no Brasil com o título "A Fábrica de Sonhos", que se aproximaria mais do original dinamarquês "Drømmebyggerne" (Os Construtores de Sonhos).
Serena Seghedoni do site Loud and Clear publicou: "Para onde vamos quando adormecemos? O que acontece com nossas mentes quando entramos no reino dos sonhos? Tudo o que vemos e sentimos é apenas produto da nossa imaginação ou também é, de alguma forma, real?
Em 'Sonhos S.A.', as codiretoras Kim Hagen Jensen e Tonni Zinck abordam essas e muitas outras questões, mostrando-nos um mundo oculto que existe dentro de um dos reinos mais fascinantes, misteriosos e privados que já visitamos – aquele que percorremos todas as noites, em nossos próprios sonhos.
Esta envolvente animação dinamarquesa gira em torno de Minna (Emilie Kroyer Koppel), uma jovem que descobre um mundo oculto em seus sonhos, onde pequenas figuras robóticas 'constroem' os sonhos das pessoas em palcos de teatro. Conforme Minna convence seu próprio construtor de sonhos (o adorável Gaff, interpretado por Martin Buch) a lhe dar acesso aos bastidores de seus próprios sonhos, ela descobre que também pode manipular os sonhos de outras pessoas – o que parece ser a maneira perfeita de tentar influenciar sua nova meia-irmã, plantando ideias em sua mente. Mas Minna logo aprende que interferir nos sonhos das pessoas tem consequências e se vê embarcando em uma missão para salvar sua família de um pesadelo criado por ela mesma – e aprendendo algumas coisas sobre si mesma no processo.
A primeira coisa que você notará em 'Sonhos S.A.' é que ele é absolutamente deslumbrante. Animado pela equipe por trás de 'Operação Big Hero' e 'Sherlock Holmes', o filme apresenta tabuleiros de xadrez voadores, cascatas de flocos de milho caindo do céu, criaturas adoráveis ​​– sejam reais ou imaginárias – e cenários magníficos que farão você se apaixonar instantaneamente pelo mundo dos sonhos secreto de Minna. Você ficará cativado por sua imaginação, desenvolverá imediatamente um carinho por seu afetuoso construtor de sonhos e se pegará sorrindo em cada cena com Viggo Mortensen – ou seja, o adorável hamster de Minna. Muito esforço foi investido para tornar 'Sonhos S.A.' mágico, um esforço que realmente transparece na beleza de seus detalhes.
É impossível não notar que essa linda história parece ter algumas semelhanças com 'Divertida Mente', da Pixar, outra animação incrivelmente cativante que gira em torno das criaturas que habitam nossos cérebros. 'Sonhos S.A.' se diferencia da adorada aventura da Pixar por diversos motivos, a começar pelo visual fascinante, a la 'Alice no País das Maravilhas', do mundo imaginário da protagonista, com relógios, peças de xadrez, animais flutuantes e montanhas-russas em tons pastel que certamente te transportarão para o mundo de Minna. (...)
O conflito do filme surge quando a vida de Minna é interrompida por Helene (Ditte Hansen) e Jenny (Caroline Vedel), duas personagens que, de alguma forma, descobrimos mais tarde como a nova noiva do pai de Minna e sua filha viciada em tecnologia e amante de sushi, respectivamente, mas cujos passados ​​sequer são mencionados no filme".
Segundo Seghedoni muito pouco é informado sobre o relacionamento do pai de Minna com Helene. O próprio pai de Minna, John (Rasmus Botoft), parece ser obcecado por uma banda mexicana de nome peculiar e o único desenvolvimento de personagem que ele apresenta ao longo do filme é o gosto por anchovas. Helene, a madrasta, passa quase despercebida e Jenny é retratada como a típica millennial obcecada por selfies.
"No entanto, a maior oportunidade perdida diz respeito à mãe de Minna, (...) uma cantora que, como descobrimos logo, abandonou o marido e a filha para seguir carreira na música, e que aparece no filme apenas em cartões-postais e vídeos do YouTube – uma presença desnecessária que se soma à coleção de personagens subdesenvolvidos na vida de Minna".
O que disse a crítica 1: Lorenna Montenegro do site Cenas de Cinema avaliou com 1 estrela, ou seja, ruim. Disse: "É tudo tão previsível e acabrunhado que chega a irritar a maneira com que paulatinamente Minna vai entrando nos sonhos do pai e da realmente insuportável Jenny para que as coisas corram como ela quer, para que 'tudo volte ao normal'. Os seres que trabalham na fábrica de sonhos são dóceis e submissos, o que torna toda a trama plana e pouco afeita aos picos emocionais presentes no storytelling das produções de uma Pixar, por exemplo. (...) É triste pensar que não faltaram para os animadores dinamarqueses excelentes exemplos dentro da animação europeia - em especial a francesa e inglesa -, onde buscar inspiração para fazer algo bom, ainda que simples, mas autêntico".
O que disse a crítica 2: Rich Cline do site Shadows on the Wall avaliou com 3,5 estrelas, ou seja, muito bom. Escreveu: "Há ideias surpreendentemente sombrias permeando esta história, com perigos arrepiantes à espreita neste reino fantástico. E, de volta à sua vida real, Minna enfrenta um bullying implacável de todos os lados. Mas sua manipulação de Jenny parece ainda mais cruel e tem sérias repercussões. Assim, no ato final, ela precisa embarcar em uma jornada de redenção que soa um pouco forçada. Mesmo assim, os temas mais profundos são fortes, explorando novas emoções, com a inventividade visual dos cineastas se tornando implacavelmente envolvente".
O que eu achei: "Sonhos S.A." (2019) é uma animação europeia que aposta em uma premissa bastante atraente: um universo onde sonhos são produzidos e administrados por uma espécie de 'empresa especializada'. A ideia imediatamente desperta curiosidade e abre espaço para explorar a imaginação de maneira livre. A história acompanha uma jovem que, sem querer, descobre esse mundo secreto responsável por criar sonhos para as pessoas enquanto dormem. A partir daí, o filme combina aventura, fantasia e um toque de reflexão sobre medo, imaginação e crescimento emocional. O conceito em si é interessante e tem potencial para situações criativas, especialmente ao mostrar como sonhos podem ser manipulados ou transformados. Visualmente, a animação em CGI é colorida, dinâmica, tem cenários que exploram bem o caráter surreal do universo onírico. Há momentos em que a parte visual realmente se destaca, com sequências que brincam com lógica e forma de maneira inventiva. No entanto, embora a premissa seja promissora, o desenvolvimento da história nem sempre acompanha o mesmo nível de inspiração. O roteiro segue caminhos relativamente previsíveis e alguns conflitos se resolvem de maneira rápida demais, o que diminui de alguma forma o impacto dramático de certas situações. Ainda assim, "Sonhos S.A." cumpre bem seu papel como entretenimento familiar. Tem ritmo ágil, personagens simpáticos e uma mensagem positiva sobre enfrentar medos e valorizar a imaginação. Não chega a ser uma animação memorável dentro do gênero, mas também está longe de decepcionar. É um filme agradável, com boas ideias e execução competente. Atenção para o nome dado ao adorável hamster de Minna: Viggo Mortensen, uma homenagem ao ator, músico, poeta e fotógrafo americano-dinamarquês, famoso por atuar em filmes do Cronenberg e na trilogia “O Senhor dos Anéis” (2001-2003).