Sinopse: Matt Kowalski (George Clooney) é um astronauta experiente que está em missão de conserto ao telescópio Hubble juntamente com a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock). Ambos são surpreendidos por uma chuva de destroços decorrente da destruição de um satélite por um míssil russo, que faz com que sejam jogados no espaço sideral. Sem qualquer apoio da base terrestre da NASA, eles precisam encontrar um meio de sobreviver em meio a um ambiente completamente inóspito para a vida humana.
Comentário: Alfonso Cuarón (1961) é um cineasta, roteirista, diretor de fotografia, editor e produtor mexicano. Assisti dele o bom "Filhos da Esperança" (2006). Desta vez vou conferir "Gravidade" (2013).
Érico Borgo do site Omelete disse tratar-se de "Um ensaio milionário sobre solidão, fragilidade e autocontrole. (...)
A ficção científica se passa no espaço, na órbita terrestre, a 600 quilômetros de altura. Nela, uma equipe de astronautas e cientistas instala novas partes no telescópio Hubble quando chega o alerta: uma nuvem de detritos está chegando em alta velocidade à sua posição. Em minutos, toda a segurança da nave se vai - e restam apenas a Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) e o comandante da missão, Matt Kowalsky (George Clooney), indefesos vagando pelo espaço.
Cuarón faz aqui o tipo de filme que costuma ser visto em baixo orçamento: apenas dois personagens que precisam superar uma situação insuperável. No entanto extrapola essa ideia - normalmente uma solução criativa minimalista para uma verba apertada -, empregando-a de forma grandiloquente.
E tome visuais de tirar o fôlego (especialmente em 3D), explosões em gravidade zero e longos e aflitivos planos sem cortes que passeiam de dentro para fora dos capacetes dos personagens enquanto eles discutem sua situação.
'Gravidade' é um deleite técnico. A alternância entre som e silêncio amplifica o drama e a trilha sonora aflitiva de Steven Price entra apenas em momentos cruciais.
A animação (o filme é quase que todo em computação gráfica) é perfeita e realista e a tensão é absolutamente constante, já que não há momentos de respiro (ainda que o filme encontre um hilário em Clooney, charmoso como nunca).
E Bullock dá um show como a astronauta novata que já perdeu tudo, mas que decide viver. Esteta, Cuarón encontra no espaço e o controle milimétrico de seu set.
Há cenas de beleza intensa e grande significado, como os "renascimentos" da Dra. Stone, especialmente o primeiro, em que a vemos pela primeira vez como mulher, como humana, indefesa fora da casca protetora do uniforme de astronauta. Nas lágrimas sem gravidade, Cuarón aprecia a beleza da fragilidade humana - e sua tenacidade".
O filme recebeu 7 Oscars.
O que eu achei: "Gravidade" (2013) é um filme tecnicamente impressionante, o que pode ser uma grande qualidade mas também sua limitação. Não é difícil entender por que levou 7 Oscars: a direção é virtuosa, os efeitos visuais são extraordinários, a fotografia de Emmanuel Lubezki é deslumbrante e o desenho de som cria uma experiência imersiva raramente vista no cinema recente. Como espetáculo audiovisual, é praticamente irretocável. A sensação de isolamento no espaço, a ausência de som no vácuo, a coreografia dos corpos flutuando e a câmera que parece nunca se desprender da ação criam momentos de tensão genuína. Há sequências de tirar o fôlego, especialmente nos primeiros minutos, que colocam o espectador dentro do caos orbital com uma intensidade impressionante. Ainda assim, apesar de todo esse brilhantismo técnico, o filme não atinge plenamente a dimensão de um grande filme. O roteiro é simples, quase minimalista, e por vezes previsível. A trajetória emocional da protagonista, vivida por Sandra Bullock, funciona como fio condutor humano da narrativa, mas carece de maior complexidade dramática. O filme aposta mais na sobrevivência física do que na profundidade psicológica, e isso faz com que, em certos momentos, a experiência pareça mais um exercício de excelência técnica do que um drama verdadeiramente marcante. Há também uma sensação de que o espetáculo visual supera o conteúdo temático. As metáforas sobre renascimento e superação estão presentes, mas são trabalhadas de forma relativamente direta, sem grandes ambiguidades ou camadas interpretativas. No fim, "Gravidade" é um filme bom, muito bem realizado, envolvente e visualmente extraordinário, porém, para além da impressionante engenharia cinematográfica, falta-lhe aquela profundidade emocional ou narrativa que transformaria a experiência em algo verdadeiramente excelente.
