7.1.14

"Playtime" - Jacques Tati (França, 1967)

Sinopse: O senhor Hulot (Jacques Tati) tem que se encontrar com um oficial americano em uma versão high-tech de Paris, mas acaba por se perder no meio do labirinto urbano que a moderna e fria arquitetura causou. Seguindo uma excursão turística de americanos, ele anda pela cidade procurando traços de humanidade e cor em uma metrópole futurista e cinzenta.
Comentário: O filme "não deixa também de recriar o mito de Babel. É uma torrente de línguas entremeadas que pouco se conversam. A anarquia está igualmente na mise-en-scène, mas apenas no nível aparente, pois 'Playtime' é resultado de um extremo domínio em todos os níveis de sua feitura, com especial destaque para o maravilhoso design de produção de Eugène Roman. Perdido no fluxo de Paris, sr. Hulot como que flana; temos aqui um flâneur muito diferente do eu lírico baudelairiano, pois ele não está atento ao teatro urbano, nem preocupado com grandes percepções do ambiente. A câmera, por sua vez, tampouco é o registro de uma psicologia pessoal, perdida que está nas suas andanças sem rumo. Depois de 'Playtime', o público nunca mais vê o caos urbano do mesmo modo, ouvindo sempre ao fundo os sons potencialmente críticos do silêncio de Hulot." (Guilherme de Almeida - Plano Crítico).