12.5.13

"Reflexões de Um Liquidificador" - André Klotzel (Brasil, 2010)

Sinopse: Elvira (Ana Lúcia Torre), uma dona de casa de aparência pacata e simpática, ouve uma voz estranha na cozinha: é o liquidificador (voz de Selton Mello), que começa a falar com ela. Um belo dia, Onofre (Germano Haiut), o marido de Elvira, desaparece sem deixar vestígios.
Comentário: André Klotzel (1954) é um diretor, roteirista, produtor e editor brasileiro. Estudou cinema na Universidade de São Paulo e trabalhou em mais de uma dezena de longas e curtas-metragens antes de dirigir seu primeiro filme, "A Marvada Carne" (1985). "Reflexões de Um Liquidificador" (2010) é o primeiro filme que vejo dele.
Celso Sabadin do Cineclick publicou: "Assim como 'O Homem que Virou Suco', 'Reflexões de um Liquidificador' já é um daqueles filmes que marcam pelo título. Num mercado cinematográfico que mal tem verba para divulgação e promoção, um bom título, um nome marcante e intrigante já é um belíssimo primeiro passo. A boa notícia é que 'Reflexões de um Liquidificador' é muito mais que apenas um bom nome.
O roteiro de José Antonio de Souza desenvolve a história de um mero liquidificador que – após passar por um conserto – começa imediatamente a assumir consciência e até a falar. Não pergunte por quê. (...) 
A história fantástica, fora do registro realista, contada em tom de humor negro e ambientada num bairro de classe média paulistana faz com que 'Reflexões de um Liquidificador' mantenha pontos em comum com o controverso e premiado 'Durval Discos'. Ambos trabalham o inusitado dentro do universo supostamente pacato e sedimentado do acomodamento social". 
O que disse a crítica: Celso Sabadin gostou. Disse: "A boa direção de André Klotzel (...) mistura com sabor e arte todos estes elementos que seriam, num primeiro momento, de difícil digestão, mas que acabam se transformando numa pequena delícia cinematográfica".
O que eu achei: "Reflexões de Um Liquidificador" (2010) é uma proposta inusitada dentro do cinema brasileiro ao misturar comédia, drama e suspense a partir de um ponto de vista pouco convencional: o de um eletrodoméstico. A história acompanha Elvira, vivida por Ana Lúcia Torre, uma mulher solitária que enfrenta o desaparecimento do marido enquanto lida com suas próprias fragilidades emocionais, tudo isso narrado pelo liquidificador de sua cozinha. O recurso narrativo, que poderia soar apenas excêntrico, funciona como uma lente peculiar para observar o cotidiano da personagem. Há um humor discreto, por vezes irônico, que contrasta com a melancolia presente na vida de Elvira. O filme transita entre o absurdo e o drama doméstico, construindo uma atmosfera que oscila entre o estranhamento e a empatia. Ana Lúcia Torre sustenta o longa com uma atuação sólida, conseguindo equilibrar momentos de vulnerabilidade e excentricidade sem perder a naturalidade. A direção aposta em uma encenação simples, valorizando os espaços cotidianos e o desenvolvimento gradual da situação, o que contribui para o tom intimista da narrativa. Embora a proposta nem sempre alcance todo o seu potencial, especialmente quando o ritmo se torna um pouco irregular, o filme se destaca pela originalidade e pela tentativa de explorar novas formas de contar uma história. No conjunto, "Reflexões de Um Liquidificador" é uma obra interessante e bem conduzida, que, mesmo com algumas limitações, entrega uma experiência diferente e envolvente dentro do cinema nacional. Atenção para a voz do liquidificador feita pelo Selton Mello.