7.4.12

"As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne" - Steven Spielberg (EUA/Nova Zelândia, 2011)

Sinopse: Tintim (Jamie Bell), um jovem jornalista que viaja pelo mundo com seu inseparável cão Milu, compra um galeão antigo de presente para seu amigo Haddock (Andy Serkis). Porém, o navio é logo roubado. Pouco tempo depois, descobre-se que nele havia parte de um mapa de um tesouro, fazendo com que Tintim e seus amigos ingressem em uma jornada à sua procura.
Comentário: Trata-se de uma animação dirigida por Steven Spielberg, com produção também de Peter Jackson. O filme é realizado em animação 3D com captura de movimento (motion capture), técnica em que atores interpretam as cenas e seus movimentos são transferidos para personagens digitais.
O longa é uma adaptação das histórias em quadrinhos do personagem Tintim, criado pelo autor belga Hergé. O roteiro combina elementos de álbuns (livros de quadrinhos em geral em capa dura) como "O Segredo do Licorne", "O Tesouro de Rackham, o Terrível" e "O Caranguejo das Tenazes de Ouro". Trata-se do primeiro filme de animação em longa-metragem dedicado ao personagem Tintim, que já era amplamente conhecido nos quadrinhos e em adaptações televisivas.
A história acompanha o jovem repórter Tintim e seu fiel cão Milu, que se envolvem em uma investigação após a compra de uma miniatura de navio que esconde um segredo ligado a um tesouro perdido. Ao lado do Capitão Haddock, Tintim embarca em uma aventura repleta de perseguições, enigmas e confrontos com vilões.
O filme foi bem recebido e conquistou o Globo de Ouro de Melhor Filme de Animação, além de outras indicações e prêmios internacionais. Também foi reconhecido por seus avanços técnicos na captura de movimento e na criação de cenas de ação complexas.
Entre as curiosidades, destaca-se o fato de Steven Spielberg ser fã de longa data das histórias de Tintim e ter adquirido os direitos ainda nos anos 1980. A parceria com Peter Jackson foi fundamental para o desenvolvimento do projeto, especialmente na utilização de tecnologia avançada de motion capture, semelhante à empregada na trilogia de "O Senhor dos Anéis". O filme também chama atenção pelo estilo visual que busca equilibrar realismo e fidelidade ao traço original dos quadrinhos.
O que disse a crítica: Roberto Guerra do Cineclick gostou. Escreveu: "’As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne’ é tecnicamente irrepreensível, um deleite para os olhos, divertido em alguns momentos, mas incapaz de insuflar na audiência o mesmo desejo por aventura que o personagem original de Hergé. O motivo: o Tintim do filme não é carismático o suficiente para ganhar o entusiasmo do espectador. Não à toa, o longa deve agradar mais os que já eram fãs do personagem do que angariar novos. (...) Para os que tiverem dificuldade de embarcar nessa montanha-russa, por não se sentirem cativados pelo personagem ou enredo, John Williams se faz presente com sua trilha sonora a pontuar com exatidão quando se deve ficar empolgado, quando se deve relaxar. ‘As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne’ é uma animação realmente admirável do ponto de vista técnico. E só".
O que eu achei: Em "As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne" (2011), Steven Spielberg leva para o cinema um dos personagens mais icônicos dos quadrinhos europeus criados por Hergé. O resultado é uma aventura ágil e visualmente impressionante, ainda que nem sempre totalmente envolvente. A principal força do filme está na encenação. Spielberg utiliza a captura de movimento para criar sequências de ação extremamente fluidas, explorando movimentos de câmera que seriam difíceis de realizar em live-action. Há cenas - como a longa perseguição em uma cidade marroquina - que funcionam quase como demonstrações técnicas do potencial da animação digital. A história, que mistura elementos de diferentes álbuns, mantém o espírito aventuresco de Tintim: mistério, caça ao tesouro e vilões caricatos. A introdução do Capitão Haddock é um dos pontos altos, trazendo humor e carisma à narrativa. Visualmente, o filme chama atenção pelo estilo híbrido: personagens com traços estilizados convivem com cenários altamente realistas. Essa escolha, embora interessante, pode causar certo estranhamento em alguns momentos, ficando em um meio-termo entre o cartunesco e o realista. Mesmo sem alcançar o impacto de outras aventuras dirigidas por Spielberg, "Tintim" é um filme competente e divertido. Funciona bem como entretenimento e como porta de entrada para o universo do personagem, equilibrando ação, humor e mistério de forma eficiente.