11.9.11

"O Alucinado" - Luis Buñuel (México, 1953)

Sinopse: Francisco (Arturo de Córdova) é um homem tranquilo e religioso, respeitado por todos em sua comunidade. Durante uma missa, acaba se encantando pela figura de Glória (Délia Garcés) que nada mais é do que a namorada de seu amigo. Não mede esforços para chamar a sua atenção, até que, finalmente, consegue fazer com que eles se separem e casa com ela. Porém, logo após o casamento, Glória passa a conhecer quem é o verdadeiro Francisco: um homem ciumento, possessivo, agressivo, paranoico e extremamente alucinado.
Comentário: Luis Buñuel (1900-1983) foi um cineasta espanhol, naturalizado mexicano. Em 1920 ele fundou com alguns amigos o primeiro cineclube da Espanha; em 1922 ele publicou os seus primeiros textos literários e em 1924, após estudar Engenharia Agrônoma, Engenharia Industrial e Filosofia, ele formou o núcleo Geração 27 ao lado de Pepín Bello, Federico García Lorca e Salvador Dalí. Ele se envolveu com teatro, com crítica de cinema e entrou para o cinema. "O Alucinado" (1953) é o primeiro filme que vejo dele.
Segundo Rubens Ewald Filho, "são pouco vistos os filmes realizados pelo espanhol Buñuel em sua fase de exílio no México (1947-55), para onde foi a fim de fugir da ditadura de Franco. Mas nesse período ele realizou algumas obras-primas que figuram entre os seus melhores trabalhos (junto com outros filmes menores de encomenda). Este é dos melhores, um melodrama aparentemente banal, mas que se revela um brilhante estudo do comportamento humano e que o próprio Buñuel considerava como um de seus melhores filmes. Com bela fotografia do mestre Gabriel Figueroa e uma atuação excelente de Arturo de Córdova (mexicano que chegou a fazer carreira em Hollywood), o filme reúne a temática habitual do diretor: a crítica feroz aos valores da burguesia, o anticlericalismo e o erotismo (estes dois últimos reunidos brilhantemente: o protagonista é fetichista por pés e se apaixona pela esposa do amigo durante uma cerimônia de lava-pés na Igreja). A sequência no campanário da igreja tem inegáveis semelhanças com o posterior 'Um Corpo Que Cai' ('Vertigo', 1958), de Hitchcock, que aliás era um admirador de Buñuel. Perturbador e com um final ambíguo, merece ser descoberto".