17.4.11

"Sonhos" - Akira Kurosawa (Japão, 1990)

Sinopse: Oito curtas-metragens do diretor Akira Kurosawa. São eles: "Sol em meio à Chuva", "O Jardim dos Pessegueiros", "A Nevasca", "O Túnel", "Corvos", "Monte Fuji em Vermelho", "O Demônio Chorão" e "Povoado dos Moinhos". Um dos segmentos mostra um menino espionando a cerimônia de um casamento de raposas, enquanto que em outra história, um jovem é testemunha de um momento mágico no jardim. 
Comentário: Akira Kurosawa (1910-1998) foi um dos cineastas mais importantes do Japão e seus filmes influenciam até hoje uma grande geração de diretores. Com uma carreira de cinquenta anos, Kurosawa dirigiu em torno de 30 filmes.
Os oito curtas-metragens que "Sonhos" apresenta foram inspirados pelos próprios sonhos do cineasta, tratando da relação misteriosa do homem com o mundo que o cerca e consigo mesmo. 
Rubens Ewald Filho escreveu: "Se Fellini podia se dar ao luxo de colocar na tela sua fantasia, por que não o maior cineasta do Japão? Foi preciso que Steven Spielberg funcionasse como apresentador deste projeto (e outro diretor famoso, Scorsese, fizesse o papel do pintor Van Gogh) para que ele se tornasse realidade. É usado como epígrafe a frase 'Uma vez tive um sonho...', que serve de introdução para os diversos delírios. Alguns chegam a ser ingênuos na sua preocupação com a guerra nuclear e o destino da humanidade, e seu visual é tão precário que parece ser proposital. Em compensação, alguns episódios são deslumbrantes, em particular os dois primeiros e o último, que tem algo de felliniano na sua procissão de uma bandinha rural".
O que eu achei: Akira Kurosawa é um diretor pelo qual tenho verdadeira admiração. Justamente por isso, assistir a "Sonhos" (1990) foi uma experiência, no mínimo, interessante. O filme é formado por oito episódios independentes, inspirados em sonhos do próprio cineasta, e carrega uma beleza plástica impressionante, marcada pelo rigor estético e pela delicadeza visual típica de Kurosawa. No entanto, apesar da proposta poética e da ambição de transformar devaneios pessoais em imagens cinematográficas, "Sonhos" não é o melhor de sua cinematografia. Há momentos de lirismo e metáforas poderosas - como a crítica ambiental e a presença quase espiritual da natureza -, mas o conjunto fica mais na esfera da contemplação do que da emoção, algo que desperta interesse pelo experimentalismo e pela sensibilidade. Apesar dele não alcançar a força narrativa de seus grandes clássicos, mostra o lado mais íntimo e onírico de Kurosawa, funcionando como um registro peculiar da mente de um gênio.