7.3.11

"Babel" - Alejandro González Iñarritu (EUA, 2006)

Sinopse: Um ônibus repleto de turistas atravessa uma região montanhosa do Marrocos. Entre os viajantes estão Richard (Brad Pitt) e Susan (Cate Blanchett), um casal de americanos. Ali perto os meninos Ahmed (Said Tarchani) e Yossef (Boubker At El Caid) manejam um rifle que seu pai lhes deu para proteger a pequena criação de cabras da família. Um tiro atinge o ônibus, ferindo Susan. A partir daí o filme mostra como este fato afeta a vida de pessoas em vários pontos diferentes do mundo: nos EUA, onde Richard e Susan deixaram seus filhos aos cuidados da babá mexicana (Adriana Barraga); no Japão, onde um homem (Kôji Yakusho) tenta superar a morte trágica de sua mulher e ajudar a filha surda (Rinko Kikuchi) a aceitar a perda; no México, onde a babá acaba levando as crianças; e ali mesmo, no Marrocos, onde a polícia passa a procurar suspeitos de um ato terrorista.
Comentário: Alejandro González Iñárritu (1963) é um cineasta mexicano. Ele iniciou sua carreira profissional em 1984 como DJ na emissora de rádio mexicana WFM. A partir de 1988 começou a se dedicar a compor músicas para alguns filmes mexicanos. Estudou cinema em Maine e em Los Angeles. Na década de 1990 já estava encarregado da produção da Televisa. Em 1991 criou sua própria companhia, a Zeta Films, que produzia propagandas e curtas-metragens assim como programas de televisão. Seu primeiro filme, um curta-metragem, foi "Detrás Del Dinero" (1995), daí pra frente não parou mais. Assisti dele os ótimos "Amores Brutos" (2000) e "21 Gramas" (2003). Agora vou conferir "Babel" (2006).
Trata-se-se da conclusão de uma trilogia cujas partes anteriores foram "Amores Brutos" (2000) e "21 Gramas" (2003).
É mais uma vez o chamado 'efeito borboleta', que estabelece relações entre ações aparentemente isoladas. Ou simplesmente a ilustração de um mundo que enlouqueceu, perdeu o sentido e o bom senso. Qualquer interpretação é admissível e lógica a partir do próprio título simbólico. "Babel" é uma referência, não explicada no filme, a um mundo que, como a lendária cidade da Bíblia, fala muitas línguas e é incapaz de se entender. O filme se baseia num roteiro original do habitual parceiro do diretor, Guillermo Arriaga. 
Indicado aos Oscars de filme, direção, montagem, atriz coadjuvante (para Adriana Barraza e Rinko Kikuchi) e roteiro original, ganhou apenas o de trilha musical para o argentino Gustavo Santaolalla. Ganhou também o Globo de Ouro de melhor filme e levou três prêmios em Cannes.
O que eu achei: "Babel", de Alejandro González Iñárritu, é um filme que impressiona pela forma como conecta histórias em diferentes continentes, revelando a complexidade das relações humanas e os efeitos de pequenos gestos em escala global. A estrutura narrativa fragmentada, já característica do diretor, é trabalhada aqui com ainda mais maturidade, unindo drama, tensão e momentos de profunda delicadeza. A fotografia de Rodrigo Prieto e a trilha de Gustavo Santaolalla completam o clima de intensidade e melancolia que permeia cada cena. As atuações são outro ponto alto: Cate Blanchett e Brad Pitt entregam personagens carregados de emoção, enquanto o núcleo japonês, com Rinko Kikuchi, traz um olhar sensível para temas como solidão e incomunicabilidade. "Babel" consegue transitar entre culturas, línguas e realidades sem perder o foco na humanidade de seus personagens, resultando em um filme coeso, envolvente e visualmente belíssimo. É filme pra ver e rever.