Sinopse: Perto de uma pequena aldeia de Vermont, nos EUA, uma criança chamada Arnie (Jerry Mathers) encontra o cadáver de Harry no bosque onde brincava. Arnie alerta a sua mãe (Shirley MacLaine), que, por sua vez, reconhece Harry como o seu ex-marido. Mais tarde, o capitão Albert Wiles (Edmund Gwenn) também encontra o cadáver e, tal como Jennifer (Shirley MacLaine) e mais alguns habitantes da aldeia, ele tem razões para pensar que pode ter sido o responsável pela morte de Harry.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele os seguintes filmes:
- as obras-primas: "Os Pássaros" (1936), "Festim Diabólico" (1948) e "Janela Indiscreta" (1954);
- os ótimos: "O Inquilino" (1927), "Chantagem e Confissão" (1929), "Sabotagem" (1936), "Jovem e Inocente" (1937), "A Dama Oculta" (1938), "A Sombra de Uma Dúvida" (1943), "Interlúdio" (1946), "Disque M para Matar" (1954) e "O Homem Que Sabia Demais" (1956);
- os bons: "Os 39 Degraus" (1935), "O Agente Secreto" (1936), "A Estalagem Maldita" (1939), "Correspondente Estrangeiro" (1940) e "Pavor nos Bastidores" (1950).
Desta vez vou conferir "O Terceiro Tiro" (1955).
Segundo o site Wikipédia, "The Trouble with Harry" era um dos filmes preferidos de Hitchcock, que considerava divertida a indiferença dos personagens perante o cadáver de Harry. Um por um, os personagens que se deparam com o corpo na floresta tentam escondê-lo porque partem do princípio de que o tinham matado. A fotografia do filme, da autoria de Robert Burks, aproveita os magníficos tons vermelhos e laranjas da folhagem de outono das florestas de Vermont".
O que eu achei: "O Terceiro Tiro" (1955) é mais um bom filme, mas não está entre os maiores trabalhos do diretor. Como qualidades eu diria que ele possui um humor negro refinado, algo incomum na filmografia de Hitchcock. A fotografia é belíssima aproveitando bem as paisagens outonais de Vermont, com cores vibrantes e cenários naturais. Os personagens são excêntricos e carismáticos, trazendo figuras peculiares e divertidas, cada uma reagindo ao cadáver de Harry de maneira inesperada e cômica. A trilha sonora de Bernard Herrmann é espirituosa e ajuda a criar o tom leve e quase despreocupado da narrativa. Diferente dos suspenses tradicionais de Hitchcock, aqui o clima é mais relaxado e curioso do que tenso. Um filme sobre um cadáver que não gera medo, mas risos, mostrando a versatilidade do diretor. Entretanto, para quem espera o suspense típico de Hitchcock, o ritmo pode parecer lento e com pouca intensidade emocional. O enredo é simples e repetitivo, com a história girando basicamente em torno de mover o cadáver de um lado para o outro, sem grandes reviravoltas. Os personagens, embora divertidos, funcionam mais como tipos cômicos do que como figuras complexas. Não chega a ser ruim, mas está longe dos melhores longas do mestre.
